Migração para a nuvem? Veja como aumentar a segurança dos dados e torná-los mais acessíveis às pessoas autorizadas
Manter informações e operações na nuvem é uma escolha cada vez mais comum entre empresas, seja pela acessibilidade dos dados, segurança ou economia que isso proporciona. Contudo, quem ainda utiliza servidores físicos precisa refletir sobre as estratégias de fazer a migração, isto é, do move to cloud.
Essa expressão representa as ações necessárias para que a transferência de dados para a nuvem aconteça de forma protegida contra perdas e vazamentos. Por isso, ela resguarda uma enorme importância e requer a atenção das companhias.
A boa notícia é que tem como fazer essa migração em segurança, o que requer uma estratégia sólida e ações preventivas. Veja como fazer essa movimentação de ativos digitais e modernize o seu negócio!
O que é move to cloud?
Antes de tudo, é importante entender que o move to cloud não é somente uma mudança física de equipamentos. O conceito envolve repensar aplicações, dados e frameworks de segurança.
Em linhas gerais, trata-se de migrar workloads, como bancos de dados, sistemas de ERP e aplicações web, de ambientes on‑premises (servidores próprios ou alugados) para plataformas em nuvem, sejam elas públicas (AWS, Azure, Google Cloud), privadas ou híbridas.
Além disso, essa migração costuma acompanhar a adoção de práticas de automação, infraestrutura como código (IaC) e operações orientadas a eventos.
Por exemplo, ao mover um pipeline de CI/CD para um serviço gerenciado, equipes de desenvolvimento ganham agilidade para entregar atualizações diárias, sem a necessidade de provisionar servidores manualmente.
Em outras palavras, o move to cloud é um processo estratégico que visa transformar a TI de reativa para proativa, permitindo tanto uma flexibilidade nos recursos computacionais quanto a escalabilidade automática, maior segurança e otimização de custos com modelos pay‑as‑you‑go.
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Tipos de estratégias de migração para a nuvem
O framework dos “5 R’s” ajuda a categorizar as principais abordagens de migração para a nuvem. Cada uma delas atende a diferentes necessidades de negócio e nível de maturidade de TI. Veja como funciona!
1. Rehosting (lift and shift)
Nessa categoria, você simplesmente “levanta” a aplicação do ambiente atual e a “desloca” para a nuvem sem alterar seu código ou arquitetura. Aqui, podem ser utilizadas ferramentas de automação (VM Import/Export), que podem acelerar esse processo.
Ela é ideal para sistemas legados que precisam ser desativados no data center rapidamente ou para empresas que demandam migração ágil antes de eventos sazonais.
Embora rápido, esse método pode acarretar custos maiores se não forem ajustados parâmetros de instância, tipo de armazenamento e rede. Por exemplo, uma grande varejista migrou seus servidores de e-commerce via Lift and Shift antes de uma Black Friday, mas posteriormente precisou otimizar instâncias para reduzir custos em 20%.
2. Replatforming
No replatforming ocorrem ajustes mínimos para aproveitar os serviços gerenciados na nuvem, como migrar um banco PostgreSQL on‑premises para o Amazon RDS ou Google Cloud SQL.
Ele pode ser utilizado quando você busca ganhos de desempenho e redução de operações sem refatorar completamente o aplicativo. Porém, nessa solução, é importante testar previamente a compatibilidade de versões e extensões.
Para exemplificar, imagine um SaaS de marketing que migrou seu banco para RDS. Com isso, ele pode obter melhoria no tempo de resposta das consultas sem alterar uma linha de código.
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3. Refactoring (Rearchitecting)
O refactoring exige a reescrita de partes ou de toda a aplicação para arquiteturas cloud‑native, adotando microserviços, containers (Kubernetes) e funções serverless (como AWS Lambda, Azure Functions).
Ela é indicada para projetos de longo prazo que exigem alta resiliência, escalabilidade e eficiência de custos. Todavia, é uma prática que exige planejamento de design, pipelines de CI/CD e testes automatizados.
Um bom exemplo de uso dessa metodologia é uma fintech que redesenha seu sistema de pagamentos como microserviços, alcançando elasticidade e reduzindo a latência.
4. Retiring
Antes de migrar, o retiring exige a identificação de quais são os componentes obsoletos ou subutilizados e se eles devem ser descontinuados ou não. Desse modo, é comum quando se notam aplicações que não agregam valor ou que já foram substituídas por soluções mais modernas.
Esse formato de move to cloud requer um inventário preciso. Ele pode eliminar aplicações redundantes, reduzindo o escopo e o custo da migração para a nuvem.
5. Retaining
Por fim, há o retaining, que mantém workloads críticos on‑premises por motivos de latência, compliance ou custo de refatoração, enquanto outras partes migram. Ele é comumente usado em indústrias reguladas (financeiro, saúde) ou quando há integrações dependentes de hardware local.
Ao adotá-lo, é essencial garantir uma conectividade segura e de baixa latência entre os ambientes. Assim, é possível manter o core empresarial on‑premises enquanto aplicações não críticas são migradas com o apoio de VPNs e gateways gerenciados.
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Vantagens do move to cloud
Migrar para a nuvem oferece diversos benefícios, que podem ser combinados para criar vantagens competitivas. Saiba quais são as principais!
1. Escalabilidade e flexibilidade
Em vez de estimar demanda e comprar servidores adicionais, você configura regras de auto-scaling que ajustam CPU, memória e instâncias conforme o tráfego. Por exemplo, um portal que suporta um alto pico de acessos simultâneos sem queda de desempenho.
2. Redução de custos
Com o modelo pay‑as‑you‑go, paga‑se apenas pelo uso real: instâncias, transferências de dados e armazenamento.
3. Acesso a tecnologias
Os serviços gerenciados de AI (compreensão de linguagem natural), analytics em tempo real e IoT ajudam a criar produtos inovadores sem investir em P&D interno.
4. Resiliência e continuidade de negócios
Os data centers distribuídos globalmente, zonas de disponibilidade redundantes e serviços de backup automatizado garantem RTO (Recovery Time Objective) de minutos e RPO (Recovery Point Objective) de segundos.
5. Mobilidade e colaboração
Com o move to cloud, as equipes podem se distribuir globalmente e colaborar em ambientes unificados, usando ferramentas SaaS e dashboards acessíveis via navegador ou aplicativo móvel.
6. Sustentabilidade
Além dos benefícios anteriores, muitos provedores investem em energia renovável nos data centers, ajudando empresas a reduzir sua pegada de carbono e incentivando a adoção do move to cloud.
Desafios na migração para nuvem
Apesar das vantagens, há barreiras para o move to cloud que precisam ser mapeadas e mitigadas:
- Planejamento detalhado: migrar sem mapear dependências, requisitos de rede e volume de dados pode gerar downtime prolongado. Um erro comum é não contabilizar latência de rede ao conectar sistemas on‑premises;
- Segurança e conformidade: é preciso adaptar controles de acesso, criptografia de dados em trânsito e em repouso, além de garantir certificações e auditorias para normas como LGPD, PCI DSS e HIPAA;
- Integração com sistemas legados: os sistemas antigos muitas vezes não suportam padrões modernos de API, demandando middleware e customização. Projetos de 3 a 6 meses são comuns para integração completa;
- Custo inicial de migração: ferramentas de assessment, licenças de software e consultorias podem representar até 15% do orçamento total do projeto;
- Vendor lock-in: O uso de serviços proprietários dificulta a portabilidade. Para mitigar, é recomendável usar contêineres portáteis e frameworks open source.
Otimizando e protegendo o ambiente de nuvem
Boas práticas para uma migração humanizada
A migração para a nuvem pode ser facilitada com algumas precauções e estratégias. Saiba quais são elas:
- Mapeamento completo: realize workshop com as áreas de negócio e TI para criar um inventário de todos os ativos;
- Definição de OKRs e KPI: metas claras (tempo de migração, redução de custo, SLA) mantêm o projeto alinhado ao negócio;
- Comunicação transparente: atualizações semanais, canais dedicados e gestão de mudança reduzem resistências;
- Capacitação e certification bootcamps: cursos hands‑on e roadshows internos ajudam na adoção de novas práticas;
- Monitoramento e observabilidade: ferramentas como Prometheus, CloudWatch e Grafana fornecem visões contínuas;
- Automação de infraestrutura: IaC com Terraform ou CloudFormation garante reprodutibilidade e rastreabilidade;
- Cultura DevOps: pipelines de CI/CD, testes automatizados e revisões de código aceleram entregas;
- Parcerias Estratégicas: Alianças com provedores e consultorias aceleram a curva de aprendizado e reduzem riscos.
Exemplos de casos de sucesso
Varejo: uma grande rede varejista pode migrar seu e-commerce para a nuvem AWS usando Replatforming e Refactoring. Assim, ela passa a suportar picos maiores de tráfego em dias de promoção, sem downtime, e reduzir os custos operacionais;
Instituições financeiras: bancos com presença nacional adotam arquitetura serverless para processar pagamentos e liquidações. Utilizando AWS Lambda e DynamoDB, eles conseguem aumentar a capacidade de processamento e garantir um bom RPO;
Setor de saúde: diversos hospitais migram seus sistemas de prontuário eletrônico para um ambiente híbrido na Azure. Desse modo, eles reduzem o tempo de acesso a informações de pacientes e oferecem consultas remotas seguras.
Educação: uma universidade pública pode criar um data lake na Google Cloud para armazenar dados acadêmicos e administrativos. Usando BigQuery e Dataflow, é possível reduzir o tempo para geração de relatórios gerenciais.
Conclusão
Em resumo, o move to cloud representa muito mais que a simples realocação de servidores: trata-se de uma oportunidade de transformação digital, capaz de impulsionar a inovação, reduzir custos e garantir maior resiliência.
Contudo, para colher esses benefícios, é essencial elaborar um planejamento detalhado, escolher estratégias de migração adequadas e adotar práticas de governança e segurança.
Por fim, lembre-se de que cada jornada é única, dependendo exclusivamente das suas necessidades. Logo, avalie seu ambiente, capacite sua equipe e conte com parceiros especializados para maximizar resultados – a BRQ está à disposição para ajudar você!
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