Data Privacy, ou privacidade de dados, se tornou central em operações de empresas de todos os tamanhos. Conheça detalhes sobre a prática.
A privacidade de dados é tanto uma necessidade quanto um desafio, além de ser uma chance para empresas de tecnologia.
A guinada na preocupação voltada à proteção de informações é bastante natural. Nos últimos anos a geração de dados encontrou novas fontes.
Além disso, ela cresceu muito, tanto pela digitalização quanto pelo aumento do seu uso em estratégias de negócios.
Por isso, aprofundar-se nessa questão é importante para qualquer organização que faça uso de informações. A seguir, conheça detalhes sobre a privacidade de dados, suas exigências, desafios e tendências!
O que é privacidade de dados?
Data privacy é o termo que ilustra o direito que as pessoas têm sobre suas informações pessoais. Isso quer dizer que os dados devem ser protegidos, e apenas quem tem permissão pode acessá-los, usá-los ou compartilhá-los.
Quando você faz compras pela internet, precisa informar seu nome, endereço e os dados para pagamento, certo?
Veja que todos esses dados são importantes, sendo que a proteção da privacidade deles faz com que somente a loja online e você tenha acesso a eles. Além da restrição de acesso, há a limitação de uso e compartilhamento.
É importante esclarecer que a privacidade de dados não é apenas uma prática ética a qual as empresas estão aderindo.
Na verdade, ela é uma obrigação que decorre de regras estabelecidas em leis como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados — 13.709/2018).
Portanto, é a legislação que obriga as empresas a pedir permissão para coletar, armazenar e tratar dados.
Ela tanto impõe a necessidade de autorização quanto exige a tomada de ações que mantenham as informações devidamente protegidas contra vazamentos.
Privacidade de dados – Não corra riscos na web
Principais desafios para a privacidade de dados
A volumetria de dados gerados diariamente, somado ao aumento do uso deles para a tomada de decisões estratégicas, ressalta ainda mais a importância de protegê-los.
Este é um caminho que já encontra inúmeras soluções, mas continua enfrentando vários desafios. Abaixo, conheça alguns deles!
Conformidade com as regulamentações de privacidade
Um dos principais desafios impostos pela privacidade de dados é justamente a possibilidade de usar as informações de pessoas e empresas sem que isso extrapole os limites da lei.
Primeiramente, porque as leis que regulam o data privacy são relativamente novas. Para se ter noção, a LGPD foi promulgada em 2018 e entrou em vigência em setembro de 2020.
A norma trouxe novidades, como as figuras do controlador, do encarregado e do operador de dados.
Por ser recente, a LGPD ainda não encontrou uma jurisprudência sólida. Isto é, ainda não existem tantos julgados em relação a ela de modo que se encontre decisões e interpretações majoritárias.
Proteção contra vazamentos e ciberataques
Não é só a internet e o uso de dados que avança. Junto a eles, os ciberataques se proliferam e a sofisticação de hackers aumenta.
Ou seja, proteger os dados contra vazamentos depende da realização de atualizações recorrentes das políticas de segurança e das ferramentas voltadas a esse fim.
Gerenciamento de consentimento e preferências dos usuários
As leis que regulam a privacidade de dados exigem que os usuários consintam com suas coletas e processamento de dados.
Este ilustra outro ponto desafiador para as empresas na promoção do data privacy.
Afinal, cabe a elas a criação de sistemas que sejam fáceis de entender, permitindo que os usuários configurem suas preferências de privacidade.
Além disso, é necessário que os negócios desenvolvam estratégias para rastrear e gerenciar essas escolhas.
Armazenamento seguro de dados sensíveis
Todos os dados requerem atenção e geram direito à privacidade. Todavia, há aqueles ainda mais importantes, que são chamados de dados sensíveis.
Eles correspondem às informações que possam, de alguma forma, identificar os usuários e gerar a eles constrangimentos, perseguições e situações perigosas.
Neste rol de dados estão, por exemplo, as informações financeiras, de saúde, de cunho religioso, sexualidade e biométricas. Todos esses dados exigem a adoção de medidas rigorosas de acesso e tratamento.
Data Quality: o que é e como entender a qualidade dos dados
Práticas e estratégias para promover a privacidade dos dados
Com o aumento dos desafios da privacidade de dados, muitas empresas criaram práticas nos últimos anos que, quando seguidas de forma constante e certa, ajudam a proteger as informações contra os principais riscos.
Veja quais são elas e como elas podem ser utilizadas nas empresas!
Implementação de políticas de privacidade rigorosas
A promoção da privacidade de dados começa com a criação e a aplicação de políticas claras sobre o tema. Elas são responsáveis por fazer o detalhamento de como as informações são coletadas, armazenadas, processadas e compartilhadas.
Além de criar essas políticas, as empresas devem divulgá-las aos seus colaboradores, parceiros e clientes. Uma atuação transparente auxilia na obtenção do consentimento explícito. Também, pode garantir que os dados somente sejam usados quando houver autorização para isso e nos limites dela.
Uso de criptografia e controle de acesso
Quando falamos em tecnologias de proteção de dados, a criptografia se destaca. Ela garante que, mesmo em caso de vazamento das informações, elas não serão elegíveis para terceiros.
Outro aliado da privacidade de dados é o controle de acesso baseado em privilégios. Essa ferramenta limita quem pode visualizar ou modificar determinadas informações.
Isso resulta na redução dos riscos de exposição desnecessária ou acidental dos dados.
Capacitação
Para que uma empresa adote de verdade a privacidade de dados, é essencial que todos que trabalham nela e lidam com informações conheçam as melhores práticas.
Isso não se encerra na divulgação de regras, exigindo a capacitação dos colaboradores para lidar com os dados de maneira segura.
Monitoramento contínuo
É importante confiar nos colaboradores e equipes, mas é necessário ter em mente que acidentes e erros acontecem.
Para evitar que eles resultem em um desastroso vazamento de dados ou uso irregular, os negócios podem utilizar sistemas de monitoramento contínuo.
Com eles, é possível identificar imediatamente a ocorrência de atividades suspeitas ou anômalas.
As auditorias também são medidas úteis. Elas analisam as práticas da empresa frente às leis de privacidade. Assim, podem encontrar pontos de melhoria.
Gestão de dados descentralizada
A gestão descentralizada de dados pode ser mais uma barreira contra ataques. Tecnologias tais como as redes blockchain e as soluções de dados distribuídos aplicam essa lógica e, assim, dificultam o acesso não autorizado às informações privadas.
Tudo o que você precisa saber sobre a tecnologia Blockchain
Tendências e estratégias futuras da privacidade de dados
A privacidade de dados está em desenvolvimento constante e segue algumas tendências que podem dar indícios do que o futuro esconde.
Ficar a par de quais são elas é uma maneira de se manter preparado para as atualizações e ferramentas que poderão reforçar a proteção das informações. Confira!
Inteligência Artificial e automação para monitoramento
Que a Inteligência Artificial consegue analisar informações, inclusive em enormes quantidades, não é uma novidade.
Todavia, cresce seu uso para fins de proteção da privacidade. A IA identifica eventuais atividades suspeitas, padrões de comportamento que fogem à regra e possíveis vulnerabilidades dos dados.
Ela oferece soluções automatizadas que podem facilitar o monitoramento contínuo dos dados. Neste caso, os sistemas não apenas reconhecem situações de perigo; eles atuam proativamente para barrá-las.
Desenvolvimento de tecnologias de privacidade diferencial
A privacidade diferencial busca a proteção dos dados individuais e, ao mesmo tempo, permite a análise das informações.
Ela técnica funciona a partir da adição de uma espécie de “ruído” matemático aos dados coletados.
Isso faz com que as informações pessoais permaneçam anônimas, mas ainda assim gerem percepções, como oportunidades de mercado.
Gestão de identidades e acesso (IAM)
A gestão de identidades e acesso, ou simplesmente IAM, atua para que apenas aqueles usuários autorizados possam acessar os dados disponíveis em um repositório. Para isso, utiliza biometria, autenticação multifator e soluções baseadas em identidade digital.
Adoção de tecnologias de Zero Trust
O Zero Trust, ou confiança zero, parte do princípio de que absolutamente ninguém — empresa privada, entidade pública ou pessoa — é confiável.
Isso pode parecer radical, mas é uma postura que aumenta a segurança de uma maneira surpreendente.
O acesso aos dados e sistemas orientado por esse modelo apenas é possível depois das verificações baseadas em identidade, dispositivos e contextos.
Assim, diminuem-se as chances de acessos não autorizados e, consequentemente, de vazamentos de dados.
Zero Trust: uma estratégia essencial para a segurança de dados corporativos
Conclusão
A privacidade de dados é uma preocupação que atinge governos e empresas de todos os tamanhos.
Afinal, quem deseja utilizar informações — ou seja, qualquer organização hoje existente — precisa se adequar a ela.
Sem dados, o desenvolvimento de produtos, o atendimento ao público e a superação de erros é dificultada.
Ao mesmo tempo, as empresas assistem de camarote à guinada de suas concorrentes e à própria estagnação.
Por isso, abdicar das informações não é uma alternativa. Cabe às empresas e demais organizações desenvolverem políticas de privacidade, ficarem atentas às leis e às mudanças pelas quais elas passam monitorar dados e o consentimento dado a eles.
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